Este é um conto meu que serve com introdução para um livro que pretendo escrever no futuro... Divirtam-se!
Só o inicio...
Fazia frio. As ruas desertas de São Paulo faziam a noite fria parecer triste e ao mesmo tempo medonha. Eu tinha acabado de sair do meu trabalho. Onze e meia da noite, e eu lá, andando naquelas ruas estreitas e solitárias. Véspera do meu aniversário, finalmente iria fazer meus 18 anos. Eu odiava o frio. Decidi cortar caminho por uma viela. Eu sinceramente não gostava de passar ali, todas as noites haviam drogados ali... Como eu morava por perto e conhecia alguns, eles em mexiam comigo, era só não encarar. Sempre fui magrelo, nunca pude me defender, era praticamente um saco de pancadas.
Estranhamente, naquela noite não havia nenhum. Ninguém injetando.. Ninguém fumando... A viela estava maias escura que nunca sem os isqueiros... Sem as brasas dos baseados. Pisei sem querer em uma poça d’água e molhei meu sapato novo, sem falar da barra da calça. “Poça d’água do caralho!”, pensei... Não havia chovido e a viela estava cheia delas.
Finalmente cheguei na outra rua. Saí da escuridão da viela e percebi meu infeliz erro. Não eram poças d’água. Pegadas de sangue me seguiam. Pegadas que eu havia feito. Pegadas de alguém que pisara sem querer em uma poça de sangue. Olhei para a viela escura e imaginei por um segundo o que teria acontecido ali... Onde estariam os corpos. Sem me dar conta levantei meus olhos. Corpos e mais corpos, destroçados e pingando sangue estavam pendurados nos varais que ligavam os prédios. Aquela maldita viela. Aqueles malditos prédios que formavam aquela maldita viela. Eu suava olhando aquela cena bizarra. Braços e pernas pendurados abaixo. Mais acima estavam os troncos, com as tripas pulando para fora. Arranhões. Sobre tudo havia as cabeças. Faces com um explicito terror. Era como se algo sobrenatural tivesse ocorrido.
Eu me questionava se eu deveria simplesmente me virar, ir para casa e esquecer ou se deveria chamar a policia desesperado e com medo. MEDO. Era isso. Eu estava apavorado. Nenhuma das alternativas cabia com a minha situação. Eu não conseguia me mexer. Eu podia sentir que alguém se aproximava por traz de mim. Alguém não... Algo. O cheiro ferroso de sangue no ar. Eu apostava que não era humano. Uma besta? Talvez um vampiro? Um lobisomem? Minha mente viajava através de monstros e mais monstros. Eu implorava, do fundo do meu coração que tudo não fosse nada mais que um sonho terrível. Tomei coragem para me virar. Minha curiosidade me pegou de jeito. Movia meu corpo. Antes que eu pudesse ver algo, uma mão quente se chocou contra as minhas costas. Uma dor como eu nunca havia sentido. Fui jogado uns oito metros para a esquerda. Cai feito bosta o chão. Eu tentava me manter acordado. Minha vista embaçada só conseguia ver um vulto vindo em minha direção. Seu hálito quente fedia a sangue... Seu hálito podre em minha face. Sua mão se repousou em meu peito e rasgou com um puxão a minha blusa. Senti cada centímetro da sua unha entrando em minha pele. Enquanto ele rasgava meu peito bem devagar, com suas unhas eu o ouvia sussurrar em meu ouvido. “Anjo negro. Lobo branco. Morcego vermelho. Os demônios virão te pegar. Escolha seu caminho. Destrua os inimigos comigo, ou me destrua do lado dos errados.” Foi o que consegui ouvir antes de ser tomado pela dor. Não conseguia me mexer. Não conseguia gritar. Simplesmente apaguei.
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